Desisti de procurar a verdade das coisas. Desisti também de querer encontrar a verdade nas pessoas. A perfeição? Dessa eu já abdiquei faz tempo. Como diz um poeta: ela está sempre quinze léguas à nossa frente, e nossas pernas são curtas para alcançá-la, muito embora a comamos com os olhos cotidianamente... Desisti de um monte coisas. Estou adiando alguns sonhos pra depois de amanhã. Estou deixando que os aviões partam, que os navios zarpem e levem um pouco de mim em seus destinos e lancem-me feito semente em algum lugar, nalguma parada. Um pouco de mim está lá, mas a maior parte ainda está aqui; é essa parte que não desistiu de acreditar que amar é possível e que nem tudo é mercado, que nem tudo é consumo, e que ainda há tempo para se mandar flores; para se escrever poemas; para olhar nos olhos e dizer afetos sem tremer ou temer o poder das palavras e das respostas... Essa parte é o que há de melhor em mim. A parte que não cansa de procurar. Que buscou, busca e sempre buscará o Porto Seguro de que falavam os navegantes portugueses ao se referirem à sua pátria-mátria... Essa parte de mim é o que escreve, é o que sempre escreverá poesia ou textos, mas sempre escreverá e sempre sonhará com ela, a esperança...
(Simplesmente um dos textos mais lindos e importantes que achei)
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